sexta-feira, 27 de março de 2009

O diabo é um adolescente rebelde


Um pouco de crônica

Bem que o céu poderia ser para todos. E, a propósito, esse era o plano. No entanto, o pecado superabundou o mundo e estamos vivenciando corrupção, violência, prostituição, inveja (um dos piores), ganância, guerras, uma lista infindável de males.
Um dia desses, filosofando no banheiro de minha residência, me veio à mente como o diabo é burro. Se tudo que está previsto na bíblia, a sagrada escritura, acaba acontecendo, por que o dito cujo, sabendo que está prevista sua derrota e, conseqüente envio para o Lago de Fogo, não desiste e se arrepende, ou mesmo, sem se arrepender, se entrega, já que seu futuro é tão cruel.
Embora, acredite eu, que mesmo que o diabo se arrependesse, muita coisa no mundo não mudaria, afinal o ser humano se tornou tão vil que continuaria a cometer os mesmos pecados, e até outros, já que é tão criativo.
Feita essa primeira digressão, eu creio que a hipótese mais provável seja a visão geral de que, no inferno, o diabo seja o verdugo que castiga os pecadores.
No entanto, aqueles mais atidos à leitura bíblica sabem que o dito cujo estará no papel de castigado. Eu acho que ele não se deu conta disso, porque, do contrário, ele ficaria preocupado.
Pois bem, eu tenho uma teoria para essa não percepção de sua realidade futura.
Depois de alguns anos de vida, não interessa a idade, e algumas muitas experiências, inclusive um curso de psicopedagogia, fizeram-me sentir seguro para fazer uma exegese do perfil psicológico do diabo.
Suponhamos uma relação paterna, na qual temos um pai, é claro, e um filho, um só filho. O pai desempenha o papel, até esperado, de orientador de seu filho, buscando com isso protegê-lo de possíveis percalços e, conseqüentes cicatrizes que o tempo deixa. Esse pai, preocupado com os rumos de seu filho único, o alerta do certo e do errado. O jovem, no entanto, não observa as orientações de seu pai e, mesmo, julga-as sem sentido e assim as despreza, não dando importância às conseqüências, já previstas em tantas outras histórias de pais e filhos. O menino desobedece ao pai, se droga, estabelece relações com pessoas as quais o pai rejeitaria, e sempre se dá mal.
Ainda, assim, quando interpelado pelo pai, que tão somente o repreende porque se preocupa com o filho, o adolescente se rebela e age, até, com violência às admoestações do pai.
E, assim, o tempo passa até que um dia, esse filho se torna homem e revê os passos de sua vida e medita em quanto sofrimento poderia ser evitado, se tivesse dado ouvidos ao seu pai. Resta agora pedir perdão pelas ofensas desferidas. Isso, se não faltar coragem para tal, vivendo tempos de amargura até que tome uma decisão.
Pois bem, o diabo é um adolescente rebelde, e por isso não compreende os planos de Deus e, mesmo, desacredita nas conseqüências, já evidenciadas em tantas outras relações, às vezes, com a participação do próprio dito cujo.
Cumpre lembrar, que nem todo adolescente é rebelde, afinal pessoas há que deturpam tudo aquilo a que têm acesso.
Inclusive, se me permitem insistir em mais uma digressão, vou advogar em favor do “Big Brother”, não que eu seja fã do programa, ao contrário, mas uma virtude ele tem: seus “olhos” registram apenas aquilo que a lente capta. Já os olhos humanos, principalmente de certos humanos que sempre estão de mal com a vida, vêem aquilo de que seus corações estão cheios.
De volta ao estudo de caso sobre o perfil psicológico do diabo, chegamos à conclusão de que, no caso do adolescente rebelde, existe uma esperança, a saber: a possibilidade de que a vida, após deixar suas cicatrizes, o faça crescer. Já no caso do dito cujo, que não sofre castigos, pelo menos até o dia do juízo final, a mesma possibilidade inexiste, já que se trata de um eterno adolescente rebelde, cuja vida não tem cicatrizado e nem ensinado o caminho para se tornar um adulto.
Assim, quando finalmente for castigado, será tarde demais para se arrepender, já que suas cicatrizes serão deixadas, não pela vida passageira, mas pela morte eterna.
Luis Bento*

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